quinta-feira, 17 de maio de 2018

Por que a Abolição da Escravatura não é comemorada?

     Em 15 de maio de 2018 a Lei Áurea completou 130 anos. É um marco importante na história do país que foi o último do Ocidente a abolir a escravidão. Entretanto, essa não é uma data lembrada com facilidade pela população, muito menos comemorada e isso tem um motivo bem simples. Cento e trinta anos depois de ser liberto, o negro ainda não é visto como igual na sociedade.

     No ano de 1888 foram libertos os negros escravizados que ainda não tinham sido "beneficiados" com uma das chamadas Leis para inglês ver. Só não se iluda achando que os Ingleses eram boa gente e presavam pelo bem estar dos negros, na verdade eles queriam apenas ter mais pessoas para quem vender seus produtos e já que escravo não tem salário ele não consome, ou seja, não servia aos propósitos do mercado e impedia o Brasil de fazer relações comerciais, algo essencial para ser visto como país desenvolvido. Um exemplo das medidas usadas para alegrar os ingleses foi a Lei do Ventre Livre, esta concedia uma pseudo liberdade para os nascidos após 28 de setembro de 1871,  já que as crianças que eram 100% dependentes de suas mães que continuavam em condições de escravidão e acabavam ficando com elas nas senzalas e sendo tratados como qualquer outro escravo e já que comiam e bebiam da comida dos senhores escravistas lhes era atribuída um tipo de dívida.

     Outra medida pseudo libertária foi a Lei do Sexagenário que a partir de 28 de setembro de 1885 libertou os poucos escravos com mais de 60 anos que existiam, ou seja, os escravos que já não tinham forças para realizar os trabalhos pesados que lhes eram exigidos, fazendo na verdade com que os senhores de escravos apenas tivessem uma desculpa para largá-los na sarjeta.

     A Lei Áurea lançou na sociedade uma superpopulação de negros que não tinham onde morar, o que comer, não eram alfabetizados, não tinham uma profissão, uma história ou uma identidade já que tudo que lhes caracterizava como povo ficou na África. Agora eles eram apenas ex-escravos. Vistos como a escória após séculos sendo chamados de preguiçosos, ignorantes, ladrões e rebeldes. Eles foram simplesmente abandonados à própria sorte no mundo que foi construído com o suor de seus rostos, mas que não tinha espaço para eles. Já os ex-proprietários de escravos, receberam indenizações por cada escravo liberto, já que segundo lhes parecia, o Estado estava lhes desapropriando de um bem e eles não poderiam ficar com o prejuízo.

     Hoje, em pleno Século XXI, ainda sentimos as consequências dessa libertação feita nas coxas, sem planejamento ou sequer intenção de integração dos recém libertos. Vemos os negros compondo a maior parte da população de rua, ocupando a maior parte das unidades penitenciárias, a maior parte dos postos de trabalho subalternos e sendo os mais sujeitos a morrer de forma violenta. Ainda assim, um grupo insiste em dizer que os negros reclamam atoa, que deveríamos agradecer aos brancos por termos sido arrancados da Africa já que lá, segundo eles, só tem miséria e que essa tal Dívida Histórica é uma desculpa para tentar arrancar privilégios do governo.

     O negro é constantemente suspeito, seus traços físicos como cabelo e nariz são inferiorizados, não lhe é permitido ser protagonistas de  uma novela que se passa em um Estado com 82% da população negra, durante muitos anos foram excluídos das vagas nas faculdades e quando lhes foi garantido o direito a frequentá-las passaram a lhes chamar de vagabundos. Pois cento e trinta anos depois, o mundo ainda não está pronto para nós e é por isso que ao contrário da assinatura em um papel, cada espaço alcançado é comemorado. Cada negro que se forma, que tem a excelência de seu trabalho reconhecida, que chega onde nenhum de nós havia chegado, nos mostra que é possível e isso importa. Representatividade Importa!

     Como declarou por meio de seu twitter o ex-ministro da cultura Gilberto Gil, "Precisamos vivenciar uma nova extinção da escravatura, que transcenda o corpo da lei e faça prevalecer o seu espírito. Uma abolição que não fique só no papel, que conquiste as consciências". Essa também é a minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

FONTES:

sábado, 5 de maio de 2018

Estraga Prazeres


No ano de 1895, o primeiro documentário em curta metragem na história do cinema foi exibido pelos irmãos Lumière, o que lhes conferiu o título de primeiros cineastas. Desde então essa forma de arte vem surpreendendo e encantando gerações.


Roteiro, atuação, fotografia, efeitos especiais, cenário, sonoplastia, direção, etc. É grande a quantidade de profissionais envolvidos no processo que coloca um filme no cinema. Atualmente, existe toda uma indústria que movimenta bilhões ao redor do mundo, gerando entretenimento para a população disposta a pagar o preço que - ao passar do tempo - só aumenta nas bilheterias. Entretanto, esse texto não tem como objetivo falar da indústria cinematográfica em si, a intenção é falar sobre outra coisa...

Eu nasci nos anos 90. Assisti Digimon e Dragonball Z na extinta TV Globinho, desenhos cujo final de cada episódio era marcado por prévias do que aconteceria no próximo e cujo nome de cada episódio já era um grande spoiler, como por exemplo "Goku se sacrifica! Só existe uma chance!", "Morre Vegeta! Um orgulhoso Saiyajin" e "Goku finalmente se transforma no Lendário Super Saiyajin". Sinceramente, isso não me incomodava nem um pouco na época, entretanto, nós crescemos e nossas perspectivas sobre algumas coisas se modificam. Um certo filme foi primordial para mudar o meu ponto de vista sobre isso.



Duas pessoas acordam em um banheiro, elas estão acorrentadas, em uma televisão um boneco macabro lhes passa instruções sobre o que devem fazer para sair de lá e diz a icônica frase "Que os jogos comecem". Sim, Jogos Mortais mudou minha visão sobre spoiler. A experiência que aquele filme me proporcionou me fez pensar no quanto eu perderia se eu conhecesse seu desfecho antecipadamente. Sentimento que se renovou quando eu assisti o filme Clube da Luta. Quem assistiu sabe do que estou falando! A vontade de ver o filme novamente para poder prestar atenção no que não tinha visto antes é empolgante e é a esse ponto que quero chegar.

Filmes mexem com emoções, nos fazem ver os personagens como pessoas, coloca-nos no lugar deles. Não se trata apenas de uma experiência audiovisual, mas de uma experiência de introspecção, de olhar para nossas próprias vidas através da vida de um personagem fictício e rever conceitos, princípios e práticas. Bem, isso falando de um filme de cerca de uma hora e meia, no máximo três horas de duração. Agora vamos mudar de patamar.

Falemos de um universo, com dez anos de existência, com atores que interpretam os mesmos personagens há tanto tempo que fica difícil dissociá-los. Personagens por quem se tem carinho, admiração e respeito. Cargas emocionais altíssimas. Bem, tudo isso existe em Vingadores: Guerra Infinita.

Um filme de Blockbuster que não pretende ser educativo nem sequer concorrer a um Oscar. Só quer vender ingressos e todos os produtos possíveis e imagináveis que levem a sua marca. Parece uma bobeira para você que façam jejum de internet para evitar saber o que vai acontecer no filme? Para mim não, pois isso tem a ver com a experiência individual da pessoa com o filme.

Para alguém que espera a continuação de uma história há meses ou que leu os quadrinhos e espera para ver aquilo no cinema há anos, um spoiler equivale a uma invasão, como se você abrisse o exame e dissesse o sexo do filho dele antes da hora. Se você teve a sorte de ver um filme na estréia, não prejudique a experiência do seu colega. Deixe ele desfrutar de cada cena, rir de cada piada e se surpreender com o final da mesma forma que você pôde.


Quem dá spoiler é carente e quer chamar atenção, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass:

Bruno Santos

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domingo, 21 de janeiro de 2018

Só uma opinião de leve.

     Hoje o dia acordou triste para muitos jovens brasileiros. O motivo? Suas notas baixas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que os deixaram um pouco mais longe do sonho de cursar uma faculdade. Para mim, o dia amanheceu triste por outro motivo: eu assisti o clipe da versão light  de "Só Surubinha de Leve". É meus amigos, a curiosidade não matou o gato, ele se suicidou de tanto arrependimento. Mas, já que eu me submeti a isso, que ao menos sirva para embasar uma reflexão. Afinal, com toda tribulação vem uma lição.

     Vivemos em um país onde um " artista" divulga a descrição clara de um estupro em ritmo festivo e descontraído, mas acha o ato tão normal que, quando as pessoas criticam negativamente, ele pensa que a causa é o fato dele não levar a vítima para casa depois. Ou seja, embebedar mulheres, drogá-las ou até dar o famoso "boa noite Cinderela" e usá-las como objeto sexual (talvez até em uma orgia) é normal, mas descartá-la em um beco escuro qualquer já é demais... gênio!


     Era de se esperar que em pleno Século XXI os homens tivessem se dado conta que manter relações sexuais com uma garota drogada ou embriagada se qualifica como estupro, mesmo com o "consentimento" dela. Consentimento entre aspas, tendo em vista que ela não está sob perfeitas condições de raciocínio para a tomada de decisões. Homens que se valem desses recursos para alcançar suas pseudo conquistas demonstram apenas que possuem mentes perversas, incapazes de conquistar uma mulher através de uma conversa, por exemplo. Incapazes de se conformarem com a ideia de que pode não haver conquista. Que pode haver um ''não'' por parte das mulheres e que isso deve ser respeitado.



     Tendo dito isso, vale ressaltar que essa música em particular nem é uma das mais pesadas do funk carioca, por incrível que pareça! Existem relatos de abusos bem mais completos e chocantes, relatos de pedofilia e abandono, alguns baseados em fatos reais. Estas músicas tocam frequentemente nas comunidades periféricas do nosso Estado, onde - aparentemente - não incomodam tanto. Claro que o aumento do acesso à informação está levando o funk para todas as partes do Brasil e do mundo, que este mesmo acesso está desenvolvendo um senso crítico sobre o que consumimos e ouvimos e sem dúvida nos possibilita um posicionamento em relação a isso.



     Entretanto, não é de hoje que músicas com letras pesadas e boas batidas, caem nas graças do povo. Muitas delas já ganharam versões light para serem veiculadas nos meios de comunicação de massa. Para citar as mais recentes, que tal ouvir a música "Bem Querer" do MC Livinho? Ou ''Baile de Favela'', do MC João e "Mama", do MC Catra e Valesca Popozuda. Ou uma das músicas mais escutadas em 2017: a "Deu Onda", do MC G15. No final do texto tem um link com as versões originais e modificadas das mesmas. 



     Por coincidência - ou não - todas estas músicas estavam em alta quando o Senado vetou o projeto de Lei que tornaria o funk "um crime contra a saúde pública de crianças, adolescentes e à família". Será que a votação teria um resultado diferente se acontecesse amanhã? O Projeto de Lei criado por Marcelo Alonso, um webdesigner de São Paulo, alegava que os bailes funk são redutos de criminosos, estupradores e pedófilos, e que visava apenas atendê-los e ajudá-los no recrutamento de jovens e adolescentes, além de incentivar o uso de drogas e álcool. O Relator do caso, o Senador Romário(Pode-RJ) afirmou que o projeto era inconstitucional por cercear a livre manifestação cultural e de pensamento.

     Porém, não é de hoje que o Funk tem problemas com a justiça. A música "Um Tapinha Não Dói" de autoria de MC Naldinho (letra) e Dennis DJ, foi gravada por Naldinho & Bela para o álbum Furacão 2000 - Tornado Muito Nervoso 2, no início dos anos 2000. A canção logo se tornou um sucesso, inclusive internacionalmente. Em 2003, uma ação foi ajuizada pelo Ministério Público Federal e pela ONG Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero contra a música, por considerarem que "ela banaliza a violência contra a mulher, transmite uma visão preconceituosa contra a imagem da mesma, além de dividir as mulheres em boas ou más conforme sua conduta sexual". Em 2010, depois de sete anos de tramitação na Justiça Federal, a empresa detentora dos direitos da música (Furacão 2000 Produções Artísticas Ltda), foi condenada, em primeira instância, a pagar uma multa no valor de R$ 500 mil. Em 2013 - 3 anos após a condenação - o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Rio de Janeiro) absolveu a empresa Furacão 2000 após o desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior considerar que "letras de funk como a desta música podem até ser de mau gosto, mas não incitam a violência".

  Enquanto eu me esforçava para chegar ao fim do clipe do MC Diguinho, muitos pensamentos passavam pela minha mente. Será que as garotas que ouvem e dançam essa música em casa ou em uma balada possuem clareza sobre o que está sendo tratado? Ou elas apenas dançam como dançariam qualquer música em inglês mesmo que não soubessem o que está sendo dito? Essa música, que já foi retirada do Spotify, alcançou a marca de 14 milhões de visualizações no YouTube. Teve quem ouviu e achou graça, quem sentiu nojo, quem se manifestou e quem se identificou. Por mais reprovável que seja, essa música exprime uma realidade.

     Mulheres sofrem abusos todos os dias! E agora as pessoas estão falando sobre isso. Não era a intenção do artista, certamente, mas está servindo para isso e essa conquista deve ser explorada. Afinal, é uma discussão importante conseguindo espaço na mídia. Tenho a esperança que esse episódio servirá para que mais homens se conscientizem sobre seus atos, que mais mulheres escutarão de forma crítica as músicas que estão dançando e que os artistas encontrarão o equilíbrio entre o poético e o ofensivo. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião. 

Ass: Bruno Santos


Fontes:



 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Perdão

     Esta semana eu refleti sobre a plenitude de Deus a partir de uma passagem. Nela... 
Jesus disse aos seus discípulos: Prestem atenção, se o teu irmão pecar, repreende-o.Mas, se ele se converter, perdoem.  Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier dizendo: 'Estou arrependido', tu deves perdoá-lo.'
Os apóstolos se entreolharam, fizeram uma cara de "lascou!" e disseram ao Senhor: 
'Aumenta a nossa fé!' 
     Esta parte deles se olharem não foi escrita, mas, pensa bem: Você é um cara normal. Tem seu trabalho, sua família, seus amigos e tá de boa no feriado. De repente, seu irmão caçula entra no seu quarto, sem bater na porta, e te pede um dinheiro emprestado. Você repara que ele está usando uma peça de roupa sua, que você não emprestou pra ele. Você o repreende pelas duas coisas. Ele pede desculpas,você o perdoa e empresta o dinheiro.
     Daí, com o dinheiro que você emprestou, ele vai na rua comprar uma coisa pra comer, que sabe que você gosta, e devora sem te oferecer enquanto bebe o restinho do refri na geladeira que por direito era seu. Você briga com ele, ele pede desculpas e você o perdoa.
     Na mesma tarde ele usa o banheiro e não dá descarga. Quando sua mãe vai procurar o culpado ele te acusa. Você o confronta, ele confessa e pede desculpas. Você, mais uma vez, o perdoa.
     A noite sua namorada vai te buscar para sair. Enquanto você termina de se arrumar ele vai pra sala e da encima dela. Você chega e nota. Ele pede desculpas. Você o perdoa.
     Depois do encontro você chega em casa e a toalha molhada do seu irmão está encima da sua cama. Me responde: ainda sobrou perdão no seu coração?
     Te digo: já vi irmãos ficarem dias sem falar um com o outro por um único desses motivos. Agora, imagine todos estes no mesmo dia? Cara, acho que uma tragédia aconteceria! Afinal, para perdoar tantas vezes assim, só sendo um irmão muito bobão. Não acha?
     Mas e se eu te disser que o irmão mais velho é Deus e o caçula somos nós? Fará mais sentido? Bem, como eu disse no início, esse texto é sobre a plenitude de Deus.
     Deus é bom demais para que seu coração tenha espaço para sentimentos como rancor e vingança. Ele é a justiça e dá a cada um o fruto da semente que planta. Mas, ele não se vinga. Pense como seria nossa vida se Deus se vingasse de nós por cada vacilo que damos com Ele!
     Um coração que não guarda rancor, que perdoa de verdade, tem muito mais a ganhar. Imagine que duas pessoas brigam e se perdoam logo em seguida. Uma perdoa de verdade, enquanto a outra guarda o rancor e fica esperando uma chance de jogá-lo na cara da outra. Quem você acha que viverá uma vida mais plena? A pessoa que tem uma nova página em branco para viver ou a que vive na espera de uma brecha para dizer que tem razão sobre algo?
     Na vida em comunidade, ter razão é um mero capricho, do qual você frequentemente abre mão para ter paz de espírito. Isso não significa baixar a cabeça e concordar com tudo, não significa ser passivo ou omisso, significa apenas ter a capacidade de analisar pelo que vale a pena brigar. Pelo que vale a pena deixar de falar ou de ajudar alguém.
     Muitas vezes cristãos são chamados de bobos. Vou dar como exemplo uma tia que eu amo demais, uma pessoa que tem uma alta capacidade de perdoar, que muitas vezes faz ela parecer boba. Já vi pessoas a criticando e botando-a pra baixo, mas sempre que essas pessoas precisaram ela estava por perto para ajudar. Ela é um exemplo de cristã para mim. Pois sabe se pôr a serviço, não de acordo com o merecimento do homem, mas de acordo com aquilo que é a vontade de Deus.
     Bem, lembra daquela parte do texto quando os discípulos se entreolharam antes de pedir fé a Jesus? Bem, eles sabiam que a vida de um cristão não se resume a perdoar toalhas molhadas sobre a cama. Como se pede para que uma mulher perdoe um homem que a traiu ou violentou? Como pedir que um homem perdoe o ladrão que matou seu filho por causa de um celular? Como pedir que alguém viva a vida sem levar essas mágoas no coração? Isso pareceria frio, né!?
     É certo que o perdão não muda determinados fatos, não traz de volta quem perdemos, não repara certos erros, mas alivia o espírito, principalmente de quem o oferece. E toda ação gera uma consequência.  O perdão não nos isenta de nossas responsabilidades. Quem infringe as leis dos homens, pagará segundo as leis dos homens. Mesmo que já tenha sido perdoado por Deus. Devemos denunciar todo o mal e trabalhar em prol de uma sociedade melhor.
     De fato, perdoar é difícil, mas Cristo perdoou os homens que o crucificaram e assim manteve pleno da graça seu coração. Se isso não servir de exemplo para você, eu não terei nada melhor para apresentar. E essa é a minha humilde opinião.
Ass;
Bruno Santos
Referência:Lucas 17, 3-5

domingo, 20 de agosto de 2017

Epifania

     O final do ano costuma ser uma época triste para muitas pessoas. Momento de rever os erros cometidos ao longo do ano e tal. Eu costumava ser esse tipo de pessoa, não via outra utilidade para esse período que não fosse lembrar das promessas feitas no ano anterior que precisariam ser refeitas por não terem sido cumpridas. Entretanto, no fim de 2017 eu estarei bastante ocupado agradecendo pelas minhas metas alcançadas, então, resolvi adiantar essa reflexão pessimista para o meu aniversário, vulgo segunda semana de agosto.

     Nesse "balanço" eu pego meu ano anterior e observo aquilo que eu conquistei de lá para cá. Os lugares para onde eu consegui viajar (nenhum), dos livros que eu consegui ler (pouquíssimos), das minhas ações significativas em prol da sociedade (?), enfim, reúno o material que poderia ser usado a meu favor caso o Faustão resolva fazer um *Arquivo Confidencial* comigo. Não que algum dia ele vá fazer um, mas é uma das coisas que passa pela minha mente, isso e "se eu tivesse uma morte prematura e entrevistassem quem me conheceu, que tipo de coisas diriam sobre mim? Em quais momentos de suas vidas eu fui crucial?".

     Já conhecí quem fique triste no próprio aniversário por estar ficando mais velho e achar que isso lhe desmerece ou aproxima da morte. Não vejo dessa forma, aliás, vejo a morte como um anjo que nos acompanha desde o nascimento e que pode vir a nos arrebatar em qualquer momento da vida, independente da idade, do credo, da cor ou da condição socioeconômica. Na verdade, acho que essa é a beleza da vida, o que nos leva a precisar aproveitar cada momento como se fosse o ultimo. Cada abraço, cada encontro, cada música que se ouve, cada filme que se vê pode ser o último, cada vez que você se despede de alguém sem dizer o que gostaria por achar que terá outra oportunidade pode ser o início de um remorso perpétuo.

     Não sei se tem o mesmo efeito em vocês, mas quando vou a um museu e dizem "essa é a caneta com a qual essa grande figura histórica escreveu sua última carta", por exemplo, a caneta ganha um sentido diferente de quando dizem "essa é a caneta com a qual essa grande figura histórica escrevia suas cartas". O último parece mais especial. E será dessa forma com todos nós. Você pode dormir em uma mesma cama a vida inteira sem que ninguém dê a mínima, mas caso você morra nela, ela ganhará uma força mística que pode fazer com que as pessoas se aproximem ou se afastem. Podemos chamar de "A magia da última vez". Isso muda a visão das pessoas que amam, da outra significação ao meio, mas não muda o fato. Quem morre não volta.

     Nessa reflexão que ficou maior que o esperado e que tomou caminhos não pretendidos, percebi que as verdadeiras conquistas são aquelas que acontecem de forma tão gradual que não da pra perceber sem olhar mais de longe, então, parei de procurar minhas vitórias ao longo do ano e olhei para mais longe. Olhei para o Bruno de 17 anos, sem perspectiva, sem sonhos, só existindo e não vivendo, com medo de incomodar ou de ocupar espaço no ambiente. Aquele garoto que se omitia e se anulava para passar despercebido. Pensei em todas as pessoas que passaram pela minha vida ao longo desses dez anos e em como valeu a pena conhecer cada uma.

     Então, eu ganhei outra perspectiva e comecei a contar outros tipos de conquistas. Quantos amigos eu consegui manter próximos mesmo estando longe, quantos eu consegui ajudar com minhas palavras, quantas vezes a minha simples presença falou mais do que qualquer coisa que pudesse ter saido da minha boca. Quantos planos eu tinha aos 17 anos que eu consegui realizar sem ter sequer me dado conta, sem ter inclusive comemorado. Ser um jovem (tenho que usar esse título enquanto posso) negro, pobre, morador de bairro com altos índices de criminalidade que pode ser revistado pela polícia (como eu fui essa semana) com a consciência limpa e a certeza de que vai seguir o seu caminho depois é uma conquista, colocar a cabeça no travesseiro cansado depois de um dia de trabalho é uma enxurrada de conquistas. Ter uma pessoa que - dentre todas as outras pessoas do mundo - escolheu passar o resto da vida com você é uma conquista inestimável. Ter conhecido ambos os pais é uma conquista pela qual eu sou grato.

     Nesses dez anos eu mudei, venci alguns limites e estou lutando contra outros, não sei em que momento Deus julgará que essa obra - minha vida - estará concluída, pode ser amanhã ou daqui a setenta anos, seja como for eu acredito que cada segundo valeu a pena e agradeço.

Obs. To torcendo pelos 70 ;)

Ass: Bruno Santos

domingo, 9 de julho de 2017

"Invadindo" a Praia

     No ano de 1985 a Banda de Rock Ultraje à Rigor lançava seu LP de estréia. A Seguir veremos um trecho da música "Nós Vamos Invadir Sua Praia" que da nome ao disco:

"Daqui do morro dá pra ver tão legal
O que acontece aí no seu litoral
Nós gostamos de tudo, nós queremos é mais
Do alto da cidade até a beira do cais
Mais do que um bom bronzeado
Nós queremos estar do seu lado"

     Apesar do produtor da banda ter dito na época do lançamento que a música fazia referência à invasão da banda paulista em terreno carioca, é possível fazer outra leitura da mesma. Veja bem, no Rio de Janeiro, favelas como a da Rocinha e Vidigal possuem visão privilegiada das praias, de lá é possível vê-las com uma facilidade que pode não existir para os moradores da baixada.

     Entretanto, a facilidade de ver a praia não é sinônimo de uma chegada fácil na mesma. E essa dificuldade vai além da deficiência do transporte público ou dos altos preços da condução. Para alguém que more no Leblom ou em Ipanema, caminhar pela orla da praia nas primeiras horas da manhã durante o verão é uma atividade quase banal, tão natural quanto a compra do pão para o café da manhã. Mas, as regras mudam se você for de fora, pois para estes existem "pré-requisitos" como estar de camisa e portar documento de identidade.

     Dicotomia que foi evidenciada nos recentes casos de jovens moradores de periferias (majoritariamente negros) que foram detidos e encaminhados à delegacias da região enquanto estavam a caminho da praia, sendo tratados como criminosos em potencial que ofereciam risco para a comunidade.

     Apesar de não chegar ao ponto de envolver a polícia, essa diferenciação entre moradores e não-moradores ocorre também nas praias de Niterói, temos como caso mais explicito a situação de Itaquatiara, praia que é considerada área nobre da cidade e é amplamente frequentada por moradores de São Gonçalo. Já foram divulgados nas redes sociais casos de ataques de tubarão e até avistamento de onças pintadas com o objetivo de afastar os "forasteiros" que segundo relatos dos moradores "fazem sugeria, ouvem funk bem alto, falam palavras de baixo calão, mijam nas portas das casas, estacionam em vagas para deficientes e se comportam como selvagens".

     Essa óbvia generalização é potencializada por esteriótipos advindos de bairrismos (disputas entre bairros), mas não podemos descartar dessa relação a discriminação por cor e classe social. Afinal, um gonçalense não tem uma tatuagem na testa que o identifique, e qualquer um dos atos citados acima poderia ter sido praticado por um morador de qualquer outro lugar, inclusive por um turista estrangeiro. Ligá-los a quem não mora na região é tão somente um mecanismo de defesa que visa desmerecer o diferente, afastá-lo da área que a pouco era uma zona de conforto.

     O problema é que essa área de conforto em especial - a praia - se encaixa na categoria dos "bens de uso comum do povo". Se encaixam nessa categoria todos os bens inapropriáveis e inalienáveis, existentes no território do país, cuja utilização não pode ser restringida de forma alguma, sendo passível de uso por qualquer pessoa do povo. 

     Impedir cidadãos desse país tropical de frequentarem as praias é tão ilegal que chega a ser imoral.  Todos temos direito a desfrutar do espaço que é denominado público, seja em uma tarde na praia, um rolezinho na Praça da Bandeira ou uma manifestação nas Laranjeiras, desde que saibamos preservar esse espaço que também é nosso, pois mais do que um bom bronzeado, nós queremos estar em posição de igualdade social, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass; Bruno Santos


Fontes:

Ultraje a Rigor, Nós Vamos Invadir Sua Praia, WEA, 1985.

https://territoriogoncalense.blogspot.com.br/2016/11/a-intolerancia-asquerosa-na-praia-de.html?m=1

https://jus.com.br/artigos/11417/o-regime-juridico-das-praias-marinhas

https://www.google.com.br/amp/s/extra.globo.com/noticias/rio/pm-aborda-onibus-recolhe-adolescentes-caminho-das-praias-da-zona-sul-do-rio-17279753.html%3Fversao%3Damp

terça-feira, 27 de junho de 2017

Perigo!

     Ontem a noite, voltando da faculdade, desci do ônibus em meio a uma chuva fina, mas persistente. Como faço parte da parcela da população que repudia o uso do guarda-chuva, vesti meu casaco, coloquei o capuz e avancei rumo ao meu destino.

     No caminho, fui desviando das poças d'água e das pessoas que insistem em andar devagar quando está chovendo, caçando marquises ou qualquer tapagem que me ajudasse a chegar em casa menos molhado. Em uma dessas passagens, vi uma cena curiosa. Uma mulher, bem vestida, ao perceber minha aproximação guardou o celular e segurou a bolsa com força.

     Foi a primeira vez que presenciei essa reação? Não! Será a última? Provavelmente não. Então, por quê escrever sobre esse caso em especial? Bem, eu sou um trabalhador, universitário, cristão. São "credenciais" com as quais as pessoas buscam se colocar em situação de superioridade. Não que eu concorde que algum desses títulos me façam melhor que alguém, mas existe toda uma cultura que julga dessa forma e é nela que vivemos.

     O ponto crucial aqui é o seguinte: minha carga horária de 8 horas cumprida, minha carga de leitura ou minha cristandade não saltaram aos olhos daquela senhora bem vestida debaixo da marquise. O que saltou aos olhos dela foi a imagem de um jovem negro de capuz se aproximando.

     Nenhum outro tipo de qualificação que eu venha a alcançar nessa etapa da minha vida irá sobressair sobre o fato de eu ser negro. E ser negro coloca em você um grande letreiro luminoso que diz "FIQUE ALERTA". Seja andando na rua, dentro de uma loja ou entrando em um ônibus. Sou olhado como um elemento perigoso em potencial.

     É controverso pensar que as pessoas que temem a minha aproximação hoje são descendentes daqueles que compravam e vendiam meus antepassados. Quando será que isso mudou? Quando foi que o negro submisso se tornou o " mal feitor"? Bem, ainda não sei, mas sei que essa imagem foi bem divulgada, poi até mesmo EU me tremo ao perceber a aproximação da minha gente.

     Para finalizar, um recado, as pessoas são mais do que aparentam, o engravatado branco pode ser um deputado corrupto que desvia dinheiro da merenda de criancinhas, o jovem negro encapuzado pode ser um trabalhador, universitário, cristão que só quer chegar em casa, jantar, tomar um banho e dormir para recomeçar a rotina no dia seguinte. Não devemos julgar o livro pela capa! E essa é a Minha Humilde Opinião.

Ass; Bruno Santos

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O homem e o pote.


  Em uma cidade do interior, havia um certo homem muito humilde e piedoso, que precisava ir muito longe para pegar água em um poço. Aquele era o único na região e atendia a muitas famílias.

  Um dia, não se sabe o motivo, esse poço secou e as famílias da região começaram a passar por dificuldades. Um anjo do Senhor que passava pela região viu a aflição do povo e resolveu ajudar.

  Em plena madrugada, o anjo apareceu ao homem piedoso enquanto este, preocupado com o futuro de sua família, encarava um pote vazio encima da mesa, e disse:

- O Senhor viu o sofrimento de seu povo e se compadeceu, agora, eu abençoo este pote que você tanto olhava. Ele não se esvaziará até que o poço volte a encher, desde que você o use com sabedoria, bondade e não revele a ninguém sua natureza.

  Depois disso o anjo sumiu, deixando o homem de boca aberta e na sua frente o pote cheio de água limpa. O homem, ainda desnorteado, provou a água e ao ver que era mesmo potável virou para tomar um gole, mas a água do pote não baixou e ele quase se engasgou.

  Ao ver que o anjo havia falado a verdade, ele soube o que precisava fazer: encheu todas as vazilhas e baldes da casa e no meio da madrugada foi até a casa de cada um de seus vizinhos enchendo seus baldes e os bebedouros dos animais, sem que o nível de água no pote diminuísse sequer um dedo.

  O poço ficou seco durante nove meses e durante todo esse tempo o homem saía de madrugada para prover água a sua família e a todas as outras da região. Ele ficava muito cansado, pois depois de toda essa caminhada precisava voltar para sua casa e trabalhar nas plantações, mas ele sabia que se não fizesse desta forma o pote poderia se tornar tão seco quanto o poço.

  Em uma certa madrugada, o homem acordou como de costume para pegar a água do pote, mas este estava vazio. Ele entrou em pânico, começou a pensar de quem poderia ter esquecido, que atitude poderia ter tido para que o anjo tirasse sua bênção, mas não conseguiu encontrar a resposta então, com o pote em mãos, foi até o poço. Lá estava a resposta.

  O poço estava cheio novamente. O homem, eufórico, saiu pela estrada gritando de alegria: "A água do poço voltou, a água voltou! Venham todos ver, a água do poço voltou!", mas ninguém apareceu para compartilhar de sua alegria.

  Voltando para casa, o homem pensou em pegar potes e levar até o poço, mas como ainda haviam muitos cheios ele foi dormir. Quando acordou, sentiu cheiro de feijão e decidiu que naquele dia não levaria sua marmita para o campo, mas ficaria em casa e almoçaria com a sua família.

  Entretanto, ao chegar na cozinha, viu uma cena que o deixou horrorizado: o pote milagroso, presente do anjo, estava sendo usado para abrigar a salada. Ele entrou na cozinha e disse: - Esse pote não é para isso! Esse não!

  Então, pegou o pote, passou os legumes para outro lugar e declarou que aquele pote não deveria ser usado para nada naquela casa,  pois ele era especial. Um presente. A sua mulher, estranhando, respondeu: - Meu bem, esse pote quem comprou fui eu, ele não foi presente e mesmo que fosse, é só um pote. É pra isso que ele serve. Isso não é pecado.
  
  Porém, o homem foi irredutível, bateu o pé e a partir daquele dia o pote se tornou um objeto decorativo em sua casa. 
  
  Diante dessa história, o que você achou do comportamento do homem? Apenas ele conhecia o verdadeiro valor daquela vazilha, apenas ele sabia os sacrifícios que fez para mantê-la em segredo. Se fosse você, permitiria que ela fosse usada para por salada ou qualquer outra coisa? Ou você a guardaria como uma relíquia sagrada?

  Bem, usar uma vazilha para por salada não é pecado, tanto quanto uma relação sexual entre marido e mulher não é pecado, mas se você fosse José, se você tivesse visto o Anjo Gabriel dizer que sua esposa seria a mãe do Salvador, será que você não teria com Maria o mesmo cuidado que o homem teve com aquele pote? Mantê-la intocada e segura tendo em vista toda a graça que o mundo recebeu através dela? Não seria pecado que marido e mulher coabitassem, não seria pecado que Maria tivesse quinze filhos depois de Jesus. Não seria, mas será que diante de tudo que eles viram Deus realizar, diante de todas as profecias que ouviram, eles poderiam deixar as vontades da carne prevalecerem diante do Espírito? Ou eles viveriam já na Terra o Céu, onde não haverão marido e mulher, mas seremos todos irmãos? 

  Bem, esse texto enorme foi apenas para te fazer pensar sobre isso. Espero que você não tenha se decepcionado, obrigado por vir até aqui e partilhar da Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Identidade Digital

     Estamos no mundo real, temos relações reais e realizamos atividades reais, mas também estamos no mundo virtual, onde podemos ser um reflexo do que somos no mundo real, ou podemos ser o oposto, ou podemos ser ambos e ainda muito mais.

     Existem pessoas que transmitem uma certa imagem através de suas redes sociais, mas que não atendem as expectativas ao vivo, seja por causa das fotos cheias de filtros, pelas frases de efeito copiadas do Google, ou pelo "estilo de vida" que dizem seguir. Assim como as que surpreendem positivamente mostrando ser muito mais do que aparentam.

     A internet te permite escolher quem quer ser, o que causa estranhamento quando percebemos que algumas pessoas têm escolha, mas continuam sendo toscas. Machistas, racistas, nazistas e preconceituosos em geral podem destilar sua escrotidão sem temer represálias, protegidos no conforto de suas casas, no fundo de um ônibus ou sentados na privada de algum shopping.

     Essa pessoa pode ser você, seu primo ou aquele cara legal que só posta Memes com gatinhos fofos, mas que tem outros cinco perfis, um no qual é rico, um no qual é gay, um no qual é uma garota e aquele que precisa ser deletado cada vez que sofre uma denúncia, seja pelo que for.

     As pessoas vivem vidas duplas, mesmo não chegando ao exagerado exemplo acima, ter um perfil para a família e outro para os amigos já mostra que você não é sincero. E mesmo tendo um só perfil, existem páginas que você deixa de curtir e postagens que deixa de compartilhar com medo do que os outros pensarão.

     Não se pode conhecer totalmente uma pessoa, mesmo passando toda uma vida ao seu lado, então, como achar que um simples vislumbre sobre o que ela escolhe mostrar na internet te fará conhecê-la? Somos mais do que os olhos podem ver, para o bem ou para o mal e nenhuma rede social pode nos representar na totalidade.

     Tendo dito isso, gostaria de alertá-los sobre os riscos da superexposição. Riscos psicológicos, espirituais e muitas vezes riscos materiais. A cerca de 6 anos eu notei que eu tinha um problema: a primeira e a última coisa que eu fazia no dia era postar no facebook. Algo que agora as "lembranças" fazem questão de me mostrar e que me trazem tristeza (mas não tanta quanto meus erros gramaticais na época).

     Eu postava "Bom dia!"com longas mensagens, "Boas noite!" com reflexões profundas, descrevia minhas refeições (não era comum postar fotos nessa época), eu usava trechos das músicas que escutava para descrever o que estava sentindo ao longo do dia, eu ficava com os olhos vidrados na tela por horas, mesmo que não houvesse nada novo na minha timeline, eu me sentia frustrado quando me esforçava para pensar em uma postagem criativa e ninguém curtia, eu sentia o celular vibrar no meu bolso e via a luz se acender, mesmo sem nada disso acontecer, e foi então que eu notei que estava envolvido demais.

     Tive que me esforçar para lembrar que aquele aplicativo de celular era destinado ao uso nas horas vagas, esporádico, que ele não era um diário e que se eu passasse alguns dias sem postar, provavelmente ninguém notaria e isso não diminuiria meu valor como pessoa nem o carinho que meus amigos e familiares têm por mim. Notei que postar meus horários de ida, volta do trabalho, e meu dia de pagamento poderiam me tornar um alvo de sequestro. E que o tempo que eu gastava vendo memes repetidos poderiam ser revertidos para horas de leitura da palavra de Deus.

     Após essa metanóia, foi muito natural para mim levar essa forma de pensar para o meu namoro. Postar no mural do outro é lindo, mostra que você pensou nele e alegra as pessoas que torcem pela felicidade de vocês, mas isso até um certo ponto e com o respeito e prudência devidos. As brigas de vocês devem ficar entre vocês, as conquistas de vocês devem ficar entre vocês e por favor, deixem entre vocês seus apelidos e fotos íntimas. Passem mais tempo conversando e menos tempo se marcando, para que após o casamento, vocês não precisem se dar conta que caráter não tem photoshop.

     A internet foi uma ferramenta - originalmente - desenvolvida para uso militar, como o microondas ou o para-quedas, ela não é ruim, ela é o que se faz com ela. Seu principal objetivo é compartilhar informações, com rapidez e precisão, nos ajudar a saber o que acontece ao redor do mundo, mas isso não precisa incluir o interior da sua casa, e essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

terça-feira, 18 de abril de 2017

Geração Comunicação

  Choques de geração não são uma novidade. Sempre tem algo mudando, dificultando o convívio e criando um tipo de abismo entre pais e filhos.

   Uma reclamação frequente por parte dos filhos gira em torno da dificuldade de dialogar com seus pais. Isso, provavelmente, se dá ao fato destes terem sido educados em um regime no qual não tinham direito a fala. Não podiam argumentar contra os castigos impostos, não podiam dar opiniões nas conversas dos adultos e nem se posicionar sobre assuntos mais complexos.

    Esses pais viveram em um tempo sem computadores ou celulares, o que os obrigava a se comunicar verbalmente com todos ao seu redor, mas falar sobre problemas acaba se apresentando um tabu.

   Discutir o relacionamento de forma aberta também é uma prática muito atual. Antigamente se casava (as vezes com um desconhecido) tendo em mente que era para sempre e as pessoas iam se suportando enquanto desse. Diálogos mais densos, com a exposição dos defeitos alheios, frequentemente levavam ao divórcio, mesmo que temporário.

    Hoje temos uma geração que aprendeu a falar sobre seus sentimentos, sobre coisas e situações que não eram debatidas, mas sempre existiram. Uma geração que tem espaço, voz e vez. Que reconhece seus direitos e luta por eles.

    Isso pode até fazer a nossa geração parecer fraca aos olhos dos mais velhos, por reclamar daquilo que eles passaram calados. Mas, por quê alguém precisa estar errado para que o outro esteja certo? Somos seres humanos, todo o contexto histórico influencia na forma como nos comportamos e isso deve ser levado em conta.

    Antes, ser chamado de gordo ou rolha de poço era apenas uma zuação entre amigos. Hoje, é bullyng. Antes, ser chamado de tizil ou macaco era apelido, hoje é racismo, sim! Antes, a inferiorização da mulher e até mesmo as diversas formas de violência contra a mesma era algo a ser resolvido dentro de casa. Quem nunca ouviu a máxima: "Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher"? Hoje, o movimento feminista vem ganhando força e as leis de proteção à mulher sendo cumpridas.

   Muitas das vezes seus pais não conversam com você não porque não querem, mas porque não sabem como fazer isso e até mesmo nem entendem o que você está falando. Não posso exigir que minha mãe tenha um posicionamento sobre apropriação cultural ou racismo reverso, nem que ela converse abertamente comigo sobre sexo se os pais dela não fizeram isso com ela.

     Tenhamos paciência com nossos pais, avós e tios. Com qualquer pessoa mais velha que sabemos fazer parte de uma geração bem diferente da nossa. Como diria Renato Russo, eles "são crianças como você ", também estão aprendendo e aprenderão até o último dia de suas vidas, se você estiver por perto para ensinar, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Colaboração de: Caroline Macedo