terça-feira, 22 de março de 2016

Geração Desconstrução

     Rolha de poço, loira burra, macaco, macumbeiro, bicha, favelada, piranha. Se você nasceu durante, ou antes, dos anos 90 já escutou todas essas expressões. Talvez uma delas já tenha sido direcionada a você.

     Acontece que estamos vivendo em uma geração diferente. Gordofobia, Racismo, Machismo, Xenofobia, Preconceito Linguístico, Social, Cultural, são conceitos que não eram divulgados nessa época. Eu disse NÃO ERAM DIVULGADOS, não disse que não existiam, obviamente. Eu mesmo fui chamado de baleia por boa parte da infância. Sinceramente, sabia que existiam coisas piores das quais ser chamado e geralmente reclamar só fazia as coisas piorarem, então, eu aceitei quieto e segui minha vida. Não tenho condições técnicas de analisar as consequências disso em minha forma atual de ver o mundo ou a mim mesmo, mas provavelmente é diferente da forma de alguém que não sofreu qualquer agressão.

     Hoje, estamos na era da informação, onde cada espirro das “celebridades” é divulgado mundialmente, cada início e término de namoro ou saída de casa sem vestimentas tidas como “adequadas”. Se é assim para as coisas fúteis, precisa ser para coisas primordiais como direitos humanos e civilidade. Vejo muitas pessoas reclamando nas redes sociais e apelidando essa de Geração “MiMiMi”. Apontando seus “adeptos” como reclamões incansáveis que nunca estão satisfeitos com nada. Alegando que no tempo deles era diferente. E era, mas as coisas sempre mudam.

     Quando eu era mais novo, ser Nerd era motivo de vergonha, hoje é cult. Nós cantávamos “Au au au, vai descer quem mora mal” quando nossos amigos desciam do ônibus no passeio (mesmo que morassem apenas uma rua antes de nós), hoje estaríamos todos presos. Nós achávamos demais quando aparecia um pedacinho de seio na Sessão da Tarde, hoje você vê pornografia pra todo lado, querendo ou não. Naquele tempo levar dois reais para a escola fazia de você um Playboy, bem, ainda faz se você for universitário, mas essa quantia não compra mais o que já comprou.

     O ponto em que eu quero chegar aqui é: somos as mesmas pessoas, vivendo no mesmo mundo, mas agora com voz. Uma voz que deve estar resguardada por uma amplitude de conhecimentos, mas, basicamente voz é o que temos.

     Se a alguns anos você comprasse um produto e este apresentasse um defeito suas opções eram ir na loja ou procurar o PROCON. Hoje em dia você pode falar diretamente com o fabricante e, acredite, isso pode resolver os seus problemas, afinal, que marca quer ficar mal falada na grande rede? Nenhuma! A sua opinião é um poder que as marcas temem, principalmente se você souber como expressá-la. Que o digam os YouTubers que estão ganhando a vida simplesmente expressando opiniões em vídeos, atitude que parece ter entrado para a cultura mundial de forma definitiva.

     Ser discriminado por um professor, policial ou funcionário de loja pode resultar na demissão e até prisão do mesmo, isso apenas com o auxílio de uma simples câmera de celular. Essa é uma nova etapa no desenvolvimento humano. Obviamente  o nível ideal será aquele em que ninguém descriminar ninguém, mas até lá, nos contentamos em ver punidos os que levam a diante essa cultura de ódio e segregação.

      A internet é um espaço democrático onde a pessoa com acúmulo de tecido adiposo pode enaltecer a beleza de suas curvas; a negra pode se apoderar da cultura afro e conclamar seu protagonismo; assim como a feminista pode exigir um tratamento igualitário para si em relação aos homens que exercem a mesmo função que ela em seu emprego, mas inexplicavelmente recebem mais. Essas pessoas sabem que o fato de algo ter se tornado “normal” não a torna boa e estão lutando a sua maneira para que as coisas mudem. Lutando contra esses preconceitos com os quais vivemos a tanto tempo que passaram a ser confundidos com opinião.

      Entretanto, as postagens e textos gigantes nas redes sociais não podem ser tidos como meio único de divulgação. Eles devem se traduzir em atos concretos também no nosso cotidiano. Devem se transformar em conversas em filas de supermercado, pautas de reuniões de família e amigos. Pois só se pode combater aquilo que se conhece, só se pode decidir se algo é certo ou errado depois de debater amplamente esse assunto e desconstruir preconceitos naturalizados pela reincidência, mas essa é apenas a minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Falência Múltipla dos Órgãos

      Você  tem um pâncreas. Também tem um fígado e dois rins (com raras exceções). Parece meio bobo dizer isso, eu sei. Provavelmente você já sabia da existência desses órgãos e da importância deles para o funcionamento do seu corpo, mas já tinha pensado neles hoje?
   O que você fez hoje que beneficia o funcionamento desses órgãos? Lembrou deles durante suas últimas compras? Ou estava preocupado demais em comprar aquela margarina que faz bem para o coração, aquele iogurte que regula o intestino e aquele legume que faz bem para a pele?  Provavelmente eu não estarei mentindo se afirmar categoricamente que ao longo da sua vida você vai passar mais tempo cuidando do seu cabelo que dos seus rins.
      A não ser que: eles parem. Sim, porque é fácil esquecer que algo existe quando ele está funcionando. Você não lembra que seu coração bate ao longo do dia, a não ser quando ele faz isso com mais intensidade ou quando para de fazer. E GRAÇAS A DEUS não precisa ficar pensando no pulmão a todo tempo para respirar. Se fosse assim, todos nós estaríamos mortos. Se você consome bebidas alcoólicas, talvez pense no seu fígado vez ou outra, e provavelmente continuará pensando de forma esporádica, mas se não tomar uma atitude, seu pensamento será em vão.
    Daí um dia, descobrirá que tem um problema grave (isso não é uma praga, apenas uma suposição), um problema que começou há anos, fazendo seus rins trabalharem de forma mais lenta, gradativamente, até pararem de vez. Mas, você não percebeu, porque isso não estava afetando sua vida até então. Entretanto, agora afetará, e você terá que tomar medidas drásticas para remediar essa situação. 
     Agora, vamos pegar esse corpo humano e transformar em um estado, pegar esses órgãos vitais e transformar em órgãos públicos, trocar a desatenção com a saúde pelo sucateamento dos serviços e então esse corpo será o Rio de Janeiro, um estado com falência múltipla dos órgãos. Sem segurança, saúde ou educação. Mesmo que o "cérebro" não perceba. E, assim como no corpo humano, como o orgão mostra pro cérebro que algo não está bem? Como ele se faz notar? Parando! Eis aí o embasamento científico para a greve.
     Resumo de um dia no Rio de Janeiro: O professor que passou o dia de pé em salas de aula sem ar-condicionado, escrevendo com um piloto que comprou com recursos próprios sem poder nem sequer fazer uma pausa para beber água já que o abastecimento da escola foi cortado vai ao mercado, mas não consegue comprar o que precisa já que seu salário não foi pago, assim como o de vários servidores públicos. Na saída é assaltado por um desempregado desesperado e por não ter o que entregar acaba sendo esfaqueado, vai parar na UPA local, mas, após 3 horas de espera ele descobre que a unidade não dispõe nem sequer de gaze para um curativo. Bem, isso foi só uma simulação, mas fala a verdade, pareceu muito longe da realidade?
     E mesmo com um Estado em estado de calamidade, com uma criminalidade mais bem armada e organizada que a polícia, com hospitais que não tem equipamentos básicos para o atendimento, com escolas caindo aos pedaços e funcionários públicos com salários atrasados, ainda somos obrigados a olhar milhões e milhões sendo gastos em obras para atender estrangeiros que virão para as Olímpiadas. Obras que se mostrarão tão inúteis quanto as feitas para a Copa do Mundo de 2014, que desabrigaram famílias para sua construção, mas continuam sem uso até hoje.
      E é por isso que o povo precisa parar, sim, o povo precisa protestar, mostrar a cara e se fazer ouvir. Lembrar aos governantes que nós somos os patrões. Lembrar que nós somos as ingrenagens que movem esse relógio, mas que ao contrário do relógio, não trabalhamos de graça. Então, se uma greve se por entre você e seu objetivo, não diga que ela é composta por vagabundos ou coisa do tipo, se lembre que somos parte do mesmo corpo e se o dedão do pé sofre uma inflamação, o corpo inteiro fica com febre. Mas essa, é apenas a Minha Humilde Opinião.


"Pois o operário é digno do seu salário - Lucas 10, 7"

"Para todo esforço há fruto, muito palavrório só produz penúria. - Provérbios 14, 23."

Ass: Bruno Santos

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terça-feira, 1 de março de 2016

Precipitação

     A chuva consiste na precipitação da água em forma de gotas sobre a superfície terrestre. Esse fenômeno pode trazer várias consequências, como deslizamentos, transbordo de rios, inundações, desabamento de casas, acidentes de trânsito, além de congestionamentos gigantes.
    Outro efeito recorrente da chuva é a morte. A morte por raiva. Sim, pois que outro sentimento pode-se ter quando a chuva cai exatamente na hora em que você sai do trabalho? Ou quando ela causa um engarrafamento que te impede de chegar na faculdade? E se ela te pega desprevenido e molha aquele calçado no qual você tanto se amarra? Não nos esqueçamos também que ela pode causar depressão em algumas pessoas ao cair no fim de semana, no feriado, no dia em que estava marcada a reunião da turma ou aquela tão esperada praia.
    Bem(apesar dos pesares), eu particularmente considero a chuva um evento belo: a forma como as gotas dançam com o vento, o som delas tamborilando no telhado; as árvores se agitando; o clima; o cheiro da água misturada com a terra. Obviamente, estando dentro de casa, seco, com luz e internet essa experiência é bem mais confortável, mas nem tudo é perfeito. Gosto de raios também, mas isso é outra história.
    Se tem uma coisa que penso toda vez que minha cidade para em decorrência da chuva é: Mas Senhor, não chove todo ano nessa época há milênios? Como é que não prepararam a cidade para isso? Como puderam ignorar esses eventos no planejamento da infraestrutura urbana? Por quê o povo precisa ficar ilhado toda vez que chove? Tem alguém que se diverte com isso?
    Não que o povo não tenha sua parcela de culpa na situação, até porque os bueiros não entopem sozinhos. É preciso ter consciência sócio-ambiental e pensar melhor sobre onde vai jogar aquele papel de bala ou aquela garrafinha de água. Isso fará diferença. Mas, sua cobrança também fará. Esse ano teremos eleições para prefeitos e vereadores. Encontre um candidato que REALMENTE more na sua cidade, que seja afetado por esses problemas e tenha vontade de resolvê-los.
    E por favor, não pragueje contra a chuva, ela é um evento climático, não um ser consciente. Ela vai desprender o solo encharcado, alimentar rios, regar plantas, derrubar árvores, encher os reservatórios e ajudar o homem a conseguir luz elétrica. Assim como o fogo que te aquece do frio, mas também pode te matar queimado. Precisamos apenas saber respeitar seu tempo e espaço. Deus criou um mundo em perfeito equilíbrio, nada é atoa, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos