terça-feira, 29 de novembro de 2016

Prioridades

     Há alguns anos, eu participei de um treinamento de primeiros socorros. Naquela ocasião, eu me empolguei bastante com o curso, mas infelizmente, hoje em dia não recordo muito do conhecimento que adquiri, salvo algumas informações que certamente nunca vou esquecer. "Procedimentos-padrão", que não são facilmente alterados com o tempo como alguns outros já foram.
     Por exemplo, antigamente era comum examinar pessoas acidentadas sem o uso de nenhum tipo de equipamento de proteção, atualmente isso não é recomendado. Não se deve prestar socorro a ninguém sem, no mínimo, o uso de luvas e máscara. Houve também um tempo em que qualquer estranho poderia receber ou realizar uma respiração boca a boca. Com o tempo, verificou-se o quanto essa prática era perigosa e, por isso, foi abolida. 
     Entretanto, existem procedimentos que permanecem inalterados, como por exemplo, o atendimento prioritário às vítimas inconscientes em um acidente.  Pode parecer uma atitude difícil se a vítima consciente estiver gritando de dor ou com uma fratura exposta, mas esse é o procedimento correto, levando em conta que em situações extremas o corpo humano pode apagar para poupar energia. A vítima inconsciente não pode dizer o que está sentindo, sendo assim, examiná-la antes de examinar quem está berrando todos os seus sintomas pode ser a diferença entre a vida e a morte daquele indivíduo.
     Da mesma forma, é um procedimento-padrão atender primeiro as vítimas em estado grave e depois as que estão em estado menos grave. Nunca pensei que uma questão como essa poderia se tornar tabu algum dia. Me deparo com essa cena cada vez que compareço à emergência do SUS. Graças a Deus nunca fui classificado com estado grave. E acredito que um pai que aparece na emergência com o filho que acaba de cair da lage enquanto soltava pipa, não queira ficar na fila atrás de uma senhora que acordou com dor de cabeça.
     Felizmente, o tabu é entre pessoas comuns e não entre quem realmente pode ter uma vida nas mãos. É entre donas de casa e universitários, apresentadores de TV e youtubers, cantores e atores.. Eu ficaria preocupado se ouvisse um cirurgião dizendo que se nega a atender alguém por sua classe social ou "profissão". Não que, diariamente, pessoas de bem já não morram nas filas esperando atendimento, mas saber que isso foi intencional por parte do médico seria assustador. Que ele estava lá, mas ESCOLHEU não atender o paciente. Afinal, essas pessoas fizeram juramentos, cinco anos de faculdade, promessas sobre salvar vidas para no final das contas deixar alguém morrer de propósito?
     Que possamos ter em mente que a vida é o mais importante, que sua preservação deve ser a principal preocupação e que deixemos os julgamentos e punições nas mão de quem se preparou por anos para essa função: o Batman. Mas, essa é apenas a Minha Humilde Opinião. Que sejamos livres de todo preconceito, toda a bala perdida e que Deus nos proteja.

Ass: Bruno Santos

#SaudadesTVGlobinho"