terça-feira, 18 de abril de 2017

Geração Comunicação

  Choques de geração não são uma novidade. Sempre tem algo mudando, dificultando o convívio e criando um tipo de abismo entre pais e filhos.

   Uma reclamação frequente por parte dos filhos gira em torno da dificuldade de dialogar com seus pais. Isso, provavelmente, se dá ao fato destes terem sido educados em um regime no qual não tinham direito a fala. Não podiam argumentar contra os castigos impostos, não podiam dar opiniões nas conversas dos adultos e nem se posicionar sobre assuntos mais complexos.

    Esses pais viveram em um tempo sem computadores ou celulares, o que os obrigava a se comunicar verbalmente com todos ao seu redor, mas falar sobre problemas acaba se apresentando um tabu.

   Discutir o relacionamento de forma aberta também é uma prática muito atual. Antigamente se casava (as vezes com um desconhecido) tendo em mente que era para sempre e as pessoas iam se suportando enquanto desse. Diálogos mais densos, com a exposição dos defeitos alheios, frequentemente levavam ao divórcio, mesmo que temporário.

    Hoje temos uma geração que aprendeu a falar sobre seus sentimentos, sobre coisas e situações que não eram debatidas, mas sempre existiram. Uma geração que tem espaço, voz e vez. Que reconhece seus direitos e luta por eles.

    Isso pode até fazer a nossa geração parecer fraca aos olhos dos mais velhos, por reclamar daquilo que eles passaram calados. Mas, por quê alguém precisa estar errado para que o outro esteja certo? Somos seres humanos, todo o contexto histórico influencia na forma como nos comportamos e isso deve ser levado em conta.

    Antes, ser chamado de gordo ou rolha de poço era apenas uma zuação entre amigos. Hoje, é bullyng. Antes, ser chamado de tizil ou macaco era apelido, hoje é racismo, sim! Antes, a inferiorização da mulher e até mesmo as diversas formas de violência contra a mesma era algo a ser resolvido dentro de casa. Quem nunca ouviu a máxima: "Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher"? Hoje, o movimento feminista vem ganhando força e as leis de proteção à mulher sendo cumpridas.

   Muitas das vezes seus pais não conversam com você não porque não querem, mas porque não sabem como fazer isso e até mesmo nem entendem o que você está falando. Não posso exigir que minha mãe tenha um posicionamento sobre apropriação cultural ou racismo reverso, nem que ela converse abertamente comigo sobre sexo se os pais dela não fizeram isso com ela.

     Tenhamos paciência com nossos pais, avós e tios. Com qualquer pessoa mais velha que sabemos fazer parte de uma geração bem diferente da nossa. Como diria Renato Russo, eles "são crianças como você ", também estão aprendendo e aprenderão até o último dia de suas vidas, se você estiver por perto para ensinar, mas essa é apenas a Minha Humilde Opinião.

Ass: Bruno Santos

Colaboração de: Caroline Macedo